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Mostrando postagens com o rótulo Texto

Anestesia sistemática

LÁ ESTAVA BERENICE SENTADA, A desorientação fixa nos olhos azuis. Ela estava perdida. Todos a sua volta percebiam isso. Menos ela. Já era um costume seu olhar fixar em nada específico. O corpo ficava parado, mas sua mente estava a turbilhões. Disparada a quilômetros por hora. Fazendo mil e uma coisa ao mesmo tempo. Sentindo tudo ao mesmo tempo. Vivendo tudo ao mesmo tempo. Parecia que por fora, ela não estava sentindo nada. Já havia vestido a máscara do "está tudo bem" a tempos, e não a conseguia tirar. Ela mesma não sabia se estava tudo, realmente, bem. Quem poderia saber? Levantou depois de um tempo, respirou fundo e foi viver. Ou ao menos assim ela pensava. Viver! Ao ser procurado no dicionário, viver significa ter vida, existência. Mas, era perceptível que viver e existir são verbos de significados distintos. Berenice, nesse momento, existia. Ela deixara de viver a algum tempo. E sem ajuda, ela continuaria apenas existindo, sem aproveitar os benefícios que a vi...

Velhas manias

Lá estava ele, andando pelo corredor de forma decidida, posso até dizer alguns centímetros mais alto. Anos atrás esse andar era bem diferente: os ombros que agora estão para trás, dando o ângulo correto da coluna ereta, antes eram para frente; a cabeça erguida que está sustentando um sorriso brilhante e verdadeiro, tomou o lugar de um semblante abatido e de sorrisos esporádicos forçados; o olhar triste e distante agora deu lugar para um confiante e astuto. A voz, por outro lado, continua a mesma, grave. No mesmo tom de um sussurro urgente. Sorrindo de alguma coisa dita pelos amigos, ele passa por onde eu estou sentada. Um banco de madeira marrom no meio do corredor. Não tinham muitas pessoas nessa hora. Provavelmente estavam em algum das lanchonetes do campus almoçando. Mas, mesmo assim, com a euforia dos amigos ele não me notou. Mas, isso não importa muito, uma vez que o tempo transforma as pessoas, mas não consegui mudar tudo. A essência, que está profundamente enterrada dent...

No memories

Nos momentos constantes de incertezas, ela se desespera na busca de respostas para preencher as lacunas nas suas lembranças. São tantos momentos misturados, sem uma cronologia certa que tudo fica embaralhado e sem lógica. Mas, ela não tem como saber, ao certo, se tudo aquilo que está na sua cabeça é verdadeiro. Sonhos, desejos, pretensões, tudo está ali como uma coisa só. Então, como resposta para as incertezas iniciais, nem sempre, ou quase sempre, o que saí é realidade. A quem convive resta apenas a incapacidade de fazer com que ela entenda que aquilo não é o certo, mas esquecemos que o nosso certo, não é o certo para eles. Esquecemos como essas lacunas devem ser terríveis. Como deve ser angustiante querer lembrar e não poder. Triste não é ela não lembrar, é você não entender como isso deve ser. ELA não pode lembrar, você pode.

1000 músicas | Amarras

Arrumando o quarto dos fundos – bagunçado a tanto tempo que não sabe contar – achou uma carta velha, toda amaçada e amarelada. Estava endereçada a ela mesma. Abriu e viu sua letra desengonçada de quando era criança. Recolocou no envelope e guardou no bolso detrás da calça para ler em outro momento e então voltou a arrumar o quarto, sacudir a poeira acumulada na cômoda e na mesinha que costumava escrever em seu diário. Nas paredes, estava pôsteres dos amores, dos ídolos, mensagens, canções rabiscadas. Enquanto arrancava isso tudo das paredes, memórias de tempos até então remotos surgiam, e com isso, sorrisos; sorrisos que a muito não acontecia, não tão genuíno. Saiu dali quando o sol já estava se pondo, o céu laranja era a vista da janela. Sentou-se na mesinha de sempre do bar e pediu sua comida favorita. A rotina daquele dia foi interrompida devido a partida da mãe. Na verdade, aquela semana estava longe da rotina de sempre. Sempre. Parecia a palavra dela, já que o lugar de sem...

Pra onde vai o amor?

Sentado num banco qualquer, em nenhum lugar específico, estava um homem que olhava um grafite na parede. Ele estava pensando no que tinha se tornado até aquele momento. Via pessoas passarem por ele, algumas sorriam, outras conversavam, umas pareciam tão concentradas no que quer que seja e outras, assim como ele, vestiam a mascara da indiferença. Passará por tantas coisas, em tantos lugares, porém não viveu nenhuma em nenhum lugar. Eram tantas lembranças que passaram por seus olhos, flaches de uma vida que teve tudo para ser intensa, mas muito pouco aproveitada. Parece que é somente nas horas difíceis que se para para refletir tudo que aconteceu. Os olhos iam de um lado para o outro a procura de alguma coisa, respostas talvez, ou uma salvação? Ele sabia o que fazer, mas não era o que estava prestes a fazer. A facilidade da resolução dos problemas é tão reconfortante que não se deixa espaço para uma certa e necessária reflexão. Mas, diferente do que a fras...

Novo ano. Novo projeto. Novo blog. Novas perspectivas

No primeiro poste do ano, dedico as novas aventuras para esse ano de 2016. No ano de 2015, iniciei o blog no intuito de postar resenhas de livros, filmes e afins, só que não me dediquei ao máximo a esse projeto. Nesse ano, pretendo aumentar o foco do blog para coisas que me forem agradáveis compartilhar, não me restringindo apenas aos livros e as produções cinematográficas. Quero me expressar mais, escrever mais, pensar mais. Não pretendo estipular metas, pois ao não cumpri-las, me sentirei fracassada, então me deixo levar. É mais fácil, pra mim, não me prender a uma lista de afazeres. Isso nunca me foi útil, nem no supermercado. Eu nunca sigo-as. Mesmo não listando-as, e não querendo faze-las é quase impossível não traçar nenhuma meta quando se inicia um novo ciclo, seja ele combinado com um ano novo, uma vida nova, um novo mês ou, até mesmo, um novo dia. É como diz aquela velha frase " nunca se é tarde para começar ". Então, por que não decidir começar hoje e não...

Sorria! é só um mal dia, não uma vida má

Talvez esse seja o grande erro que cometemos: nos desesperamos com coisas pequenas. É sabido que qualquer coisa - por mais simples que seja - que aconteça sem que estejamos preparados, e que seja mau, nos desestabiliza. Mas, não podemos deixar que isso interfira diretamente na nossa vida. Ficar tristes por muito tempo por causa de um problema não é bom, nem para você e nem quem está a sua volta. Sempre acaba respingando e descontando em quem não tem nada com isso. Hoje foi um dia ruim? Respira, respira fundo, amanhã é outro dia e as coisas podem e vão ser diferentes, basta VOCÊ ser diferente.

Compartilhar amor... Será que saiu de moda??

Está ficando cada vez mais difícil nos encontrarmos no mundo. Até parece que estamos cercados de estranhos por toda parte, como se fossemos ilhas de um sentimento reverso. A arte dos bons modos saiu de moda e o que vemos por aí é a disseminação de sentimentos ruins, que toma parte de nossas emoções, nos enfraquecendo, deixando-nos expostos e vulneráveis a entrarmos nessa mesma prática. Percebe-se que ficou fácil demais passar por cima dos sonhos dos outros em proveito próprio. Não se consegui mais ficar satisfeito pela conquista do próximo sem que consigamos algo melhor.