O príncipe dos canalhas, Loretta Chase


A publicidade do livro "O príncipe dos canalhas" foi incrível e graças a isso fui procurar o livro e lê-lo. Particularmente, amo romances, em especial, romance de época, eles me dão um parâmetro para imaginar como eram as coisas em um mundo sem nada do que estamos acostumados. Nesse livro temos mais uma vertente do conto "A bela e a fera", escrita de forma a nos ensinar a aceitar como realmente somos, lutando pelo que queremos, e nos mostrando que quando amamos uma pessoa, fazemos de tudo por ela.


O Príncipe dos canalhas
Autora | Loretta Chase
Editora | Arqueiro
Páginas | 298
Sebastian Ballister é o grande e perigoso marquês de Dain, conhecido como lorde Belzebu: um homem com quem nenhuma dama respeitável deseja qualquer tipo de compromisso. Rejeitado pelo pai e humilhado pelos colegas de escola, ele nunca fez sucesso com as mulheres. E, a bem da verdade, está determinado a continuar desfrutando de sua vida depravada e pecadora, livre dos olhares traiçoeiros da conservadora sociedade parisiense. Até que um dia ele conhece Jessica Trent... Acostumado à repulsa das pessoas, Dain fica confuso ao deparar com aquela mulher tão independente e segura de si. Recém-chegada a Paris, sua única intenção é resgatar o irmão Bertie da má influência do arrogante lorde Belzebu. Liberal para sua época, Jessica não se deixa abater por escândalos e pelos tabus impostos pela sociedade – muito menos pela ameaça do diabo em pessoa. O que nenhum dos dois poderia imaginar é que esse encontro seria capaz de despertar em Dain sentimentos há muito esquecidos. Tampouco que a inteligência e a virilidade dele pudessem desviar Jessica de seu caminho. Agora, com ambas as reputações na boca dos fofoqueiros e nas mãos dos apostadores, os dois começam um jogo de gato e rato recheado de intrigas, equívocos, armadilhas, paixões e desejos ardentes.
Em "O príncipe dos canalhas" conhecemos Sebastian Bellister, um homem grande demais, tanto fisicamente quando psicologicamente. De pais completamente diferentes, o Lord Belzebu, como é mais conhecido, desde criança aprendeu o que é ser desprezado. Sua mãe, uma jovem italiana que se casou com o Marquês Dain (viúvo e sem filhos para herdeiro) aos 17 anos, era fogosa, espevitada e explosiva, assim como seu filho. Quando Belzebu nasceu, todos acreditavam ser o filho do diabo, já que suas feições não era as de um bebê como: ele tinha um nariz anormalmente grande. Graças a isso, tinha muito pouco a atenção do pai e da mãe apenas em alguns momentos. Ao completar oito anos de idade, descobriu que sua mãe não aguentou mais a convivência com seu pai e fugiu com o amante. Depois disso, a atenção do pai que era quase nada ficou completamente alheio a seu filho, mandando-o a um colégio interno bem longe de sua casa.
Ele se levantou e tocou a sineta, e um dos lacaios levou o garoto dali. Mesmo com a porta do escritório fechada, mesmo quando descia rapidamente as escadas, os gritos na cabeça de Sebastian não paravam. Ele tentou tampar os ouvidos, mas a gritaria continuou, e tudo o que conseguiu fazer foi abrir a boca e soltar um berro longo e terrível.
No colégio, ele foi ridicularizado, humilhado, espancado e desprezado ainda mais por seus colegas. Mas, isso só o fez se tornar mais forte. Canalizou a raiva pela distancia e desprezo do pai e o abandono da mãe para se tornar uma nova pessoa, mais forte e mais fechada, eliminado qualquer tipo de sentimento que poderia sentir. Transformou seu maior agressor em seu melhor amigo, mostrou ao pai que poderia ser quem ele quisesse e entrou na melhor universidade do país, mesmo a contra gosto do Marquês. Renunciou a sua fortuna e conquistou a própria, com seus esforços e sua inteligencia para o mercado e jogos. Com a morte do pai, tornou-se o novo Marquês Dain, um dos homens mais poderosos do pais.

Fechado para qualquer tipo de sentimentos, Dain relacionava-se apenas com prostitutas: pagava-as pelo seu prazer e as descartava sem qualquer remorso. Negava-se terminantemente a chegar perto de uma dama, até conhecer Jessica Trent, uma mulher inteligente, muito bonita e divertida (além de uma excelente atiradora). Com seus 27 anos e ainda solteira, poucos a chamariam de solteirona, pois pretendentes não lhe faltavam, mas para os padrões de Jess não havia nenhum que se encaixe.

[...] Jessica recebia tantas propostas de casamento – cerca de seis por ano, mesmo agora, quando já devia estar resguardada, usando a touca de solteirona. Mas ela preferia ser enforcada a se casar e se transformar na égua reprodutora de um pateta rico e cheio de títulos – ou a usar uma touca cafona [...]

Jess é uma mulher muito à frente para seu tempo, forte, desinibida, inteligente, corajosa, determinada, de língua afiada, sensível, meiga, mas acima de tudo, apaixonada. Não tinha tabus ou peças indecorosas, nem propostas que pudessem lhe causar rubor. Mas, um homem, especificamente, conseguia aquecer sua face, mas com de raiva, principalmente, se esse homem estava acabando com a vida do paspalho do seu irmão com sua má influência.

Era impensável que aquela desprezível réplica feminina o tivesse afetado. Não havia a menor possibilidade de ele se sentir desconcertado por essa mulher de língua afiada que devia ser, como presumiu inicialmente, uma vagabunda desmazelada com quem Bertie estivera na noite anterior.

O sotaque dela denunciava que era uma dama. Pior ainda – se fosse possível haver espécie pior de ser humano –, ela era, pelo que parecia, uma intelectual. Em toda a sua vida, Lorde Dain nunca encontrara uma mulher que soubesse o que era uma equação, e menos ainda uma que soubesse que equações eram passíveis de balanço.
A atração dos dois ao se encontrarem pela primeira vez é inegável e perceptível aos dois. Mas, como Lorde Belzebu considera-se uma aberração, um homem asqueroso, feio e desprovido de quaisquer características capazes de inspirar afeto, seja qual for, dificulta a aproximação dois dois, não acreditando em nenhuma atitude sincera, a não ser que ela seja paga. Além do mais, a teimosia e o ar independente de Jess os afasta e os unem ao mesmo tempo.

O decorrer do livro mostra como Dain irá, finalmente, se abrir para as possibilidades e perceber que nem todas as pessoas olham apenas a beleza física, e abre seus sentimentos e voltar a permitir-se sentir afeto e ser amado por Jessica. O que deixa a história mais interessante são as formas que eles encontram de demonstrar o que está sentindo pelo outro sem, necessariamente, dizer com palavras. 

[…] Mas você não me escuta! Porque, como todo homem, você só consegue pensar uma coisa de cada vez. E ainda pensa errado.

Já li muitos livros com essa mesma temática, mas nenhum me tocou tanto quando Sebastian e Jessica. O amor dos dois é apaixonante, uma amizade forte, que foi sendo construída com base na confiança. Uma forma livre de preconceitos e julgamentos, mostrando que uma pessoa é bem mais o que aparenta ser. Loretta conseguiu me prender a cada página, não consegui desgrudar do livro até terminá-lo, e quando isso aconteceu, queria mais...

Na lista dos melhores livros lidos em 2015. Recomendadíssimo!

Comentários

  1. Oi Nill!!! Adoro livros de época!!! Já estava interessada em ler este e agora depois de ler sua resenha fiquei ainda mais curiosa sobre este livro!!! Gostei muito da resenha!!!!

    Bjssssssss

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    1. Fico feliz por ter gostado. Pode ler sem medo que a estória é maravilhosa.

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